UMA VIDA PARA APRENDER

DIALÉTICA NA APRENDIZAGEM

DO PRAZER INDIVIDUAL À COMEMORAÇÃO COLETIVA NA CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO

PROLEGÔMENOS:

O presente livro/blog/planfeto se compõe de duas partes: – na primeira, conto minha trajetória pessoal: como, a partir das vivências, fui construindo minha maneira de pensar a educação. Pode ser resumida parafraseando o título de um antigo espetáculo de teatro: a trajetória de um imbecil, da ignorância à dúvida; – na segunda, ouso analisar vários pensadores, resumindo o que entendi deles e como influenciaram ou não minhas conclusões. O objetivo dessa exposição é, tentando cumprir a proposta básica de construção coletiva do conhecimento, promover um debate com os que tiverem coragem de ler estas mal digitadas linhas. Sei que é uma tarefa difícil, já que nestes tempos de internet, não está na moda ler ou escrever mais que duas páginas.

PRIMEIRA PARTE : UMA VIDA PARA APRENDER

1- TUDO COMEÇOU EM PIZZA!

Só depois que aprendi a cozinhar é que vi que gostava. Tendo casado desempregado, tive que ser “dono de casa” enquanto a mulher garantia o “pão nosso”. Só me dei bem na cozinha. E foi aos poucos. Com a morte inesperada de minha mãe (que, como toda mãe da gente, era ótima cozinheira), o recente dote culinário me incentivou a recuperar algumas de suas receitas, especialmente a do panetone.

 Mas um acontecimento inesperado mudou o rumo das pesquisas: uma barata na pizza! Na verdade uma baratinha, mas o efeito foi o mesmo. Cenário: nos meados da década de 70, em São Paulo, não havia chegado ainda a época das pizzarias. As padarias eram as fornecedoras. Não havia pronta entrega: encomendava-se no balcão e levava-se para casa já nas caixas de papelão. Até que apareceu a baratinha… A partir daí comecei a pesquisar massa de pizza e outras massas. Testei dezenas até chegar àquela que faço até hoje. ( E foi meu sogro que a conseguiu com um “fazedor de pizza”na padaria onde ele ia tomar umas e muitas outras. E era a receita mais simples de todas…).

O interessante nessas pesquisas é que a maioria das receitas dizia: “peneire a farinha”. Sempre achei que devia peneirar a farinha para detectar alguma impureza ou corpo estranho. Como nunca encontrei nada, parei de peneirar. Até que, anos mais tarde, minha irmã, Rita, fazendo curso de nutrição e sendo pesquisadora interessada, comentou que o ato de peneirar a farinha servia para tornar a massa mais fofa, leve, pois permitia que houvesse ar entre os grãos. Isso mudou totalmente minha compreensão do ato de cozinhar e da função das receitas. E acabou confirmando algumas coisas que eu já desconfiava sobre o processo ensino-aprendizagem.

Na cozinha, se não entender a função de cada elemento e a relação que existe entre eles, você será apenas um “ledor de receitas”, jamais um cozinheiro. Nem adianta decorar as receitas, pois quando faltar algum elemento você não saberá substituí-lo. Só entendendo a função de cada elemento e a relação que existe entre eles é que você poderá recriar a receita. E essa relação inclui o tipo de panelas e de forno, as temperaturas, os tempos e o jeito de cada um (=tecnologia). É interessante que por mais que eu tente imitar a receita dos outros ( e estou sempre fazendo isso), percebo que a minha massa continua sendo “a minha massa”.

Quando fui trabalhar com Educação Profissional no SENAC-SP (de 80 a 97 do século passado), alguns desses princípios já estavam incorporados à minha concepção de aprendizagem:

– A necessidade de entender o porquê das ações, dos fatos, das coisas;

 – A relatividade da memorização;

– A re-criação e não a re-petição;

– A incoerência da avaliação, já que a re-criação é incomensurável (Ivan Ilich);

– A necessidade de estabelecer relações entre as unidades aprendidas.

 Mas faltava alguma coisa (ou muitas). O passo seguinte foi culpa do Banco do Brasil.

 2- A DIALÉTICA NO BANCO

Deve ter sido em 1983, por aí. O SENAC- SP começava a inventar “maneiras de produzir receita operacional” para enfrentar a “crise” que já batera às portas (personificada em demissão de pessoal) e ameaçava voltar. Então começamos a fazer “programas” que dessem dinheiro. Uma das idéias brilhantes foram os preparatórios para concurso. Se outros ganhavam dinheiro com isso, por que não nós?

Nessa época trabalhava em São José do Rio Preto e montamos algumas turmas de preparatório para o concurso do Banco do Brasil. Turmas montadas, na última hora faltou professor de Português. Lá fui eu: por ter estudado Latim em seminário católico, tinha certo domínio da gramática e experiência de sala de aula. O desafio era grande: dar o conteúdo de Morfologia e Sintaxe em pouquíssima carga horária. Aí funcionou o princípio da Antropologia Física: “a necessidade cria o órgão.”

A coisa funcionou mais ou menos assim: Escrevi na lousa (um grande recurso de ensino!) um quadro-resumo onde definia, a meu modo, cada classe de palavras: substantivo, verbo, advérbio, pronome… e num quadro ao lado, como cada classe se redefinia na sintaxe: sujeito, predicado, complementos… O meu “estalo de Vieira” foi quando conclui, com os alunos : – “Você não sabe o que é o substantivo olhando apenas para ele. Você só vai compreender o substantivo quando souber que ele não é adjetivo, não é verbo, não é advérbio, não é pronome… Em outras palavras: enquanto não o confrontar com suas negações e estabelecer as relações de tese e antítese. Fiquei mais surpreso com a descoberta, quando um dos alunos perguntou: – “Por que nunca contaram isso pra gente?”

 A partir daí estavam lançadas as raízes para minha “descoberta pessoal”: Nosso ensino está preso na lógica formal. É preciso avançar para a lógica dialética. Tomemos o exemplo da morfologia: As classes de palavras são ensinadas separadamente. Por exemplo, o substantivo: define-se, mostram-se as variações de gênero, número, tipos e grau…e fazem-se os exercícios. Depois se vira a página e isola-se o adjetivo para melhor compreendê-lo… e assim por diante. Corre-se o risco de o aluno, ao fazer uma pergunta sobre o verbo, ouvir a frase tantas vezes repetida: “Isso é assunto para outra aula.” O mesmo vale para a Matemática que isola a aritmética da álgebra, da geometria, da trigonometria…; para a História que separa as idades, os períodos, os fatos…; para a Geografia que uma hora é física, outra é humana; além de todas as gavetas isoladas, criadas pelo taylorismo educacional.

Por essa época tinha formulado minha hipótese básica sobre o processo de aprendizagem: A construção do conhecimento, passando pela lógica formal, só se concretiza de maneira dialética: determinando as relações de afirmação (tese) e negação (antítese) dentro de um conjunto, chegando-se a uma síntese provisória, que se transforma em nova tese… e assim por diante até o infinito, que é a dimensão do conhecimento. Tudo isso dentro das relações que os homens estabelecem entre si, enquanto estão transformando o mundo.

Então preciso falar do Paulo Freire e do Ivan Ilich.

 3- ABAIXO A AVALIAÇÃO!

A primeira orientação que recebi do diretor da escola onde ia iniciar (aos 22 anos, meio temeroso) minha carreira de professor, foi a famosa: – “Não tenha medo. Faz de conta que todo mundo é cabeça de repolho.” Por sorte não acreditei nisso, até porque logo se percebia que ocorriam outros gêneros alimentícios: muita abobrinha nos livros didáticos, muito pepino na sala de aula, muito abacaxi pra descascar e a maior salada na sala dos professores. Esse negócio de repolho não me cheirava bem. (Não resisti à piadinha…)

Por essa época (1967/68) líamos muito Paulo Freire (“Educação como Prática de Liberdade”), Ivan Ilich (“Sociedade sem Escolas”) além de outros (Marcuse, Fromm, Furter…) tentando descobrir a Pedagogia que ia mudar o mundo. Cheguei a reproduzir em duplicador a álcool dois textos, tirados de “Extensão ou Comunicação?” de Paulo Freire e do livro do Ivan Ilich, para panfletar com eles o curso de licenciatura em Ciências Sociais que eu fazia na Faculdade de Educação da USP, que eu classificava de “mais reacionária que o MEC”. Esses dois textos me forneceram os pilares sobre os quais construí (até agora) minha concepção do processo educacional. Se existe uma frase que pode resumir essa concepção é aquela do Ivan Ilich, no livro citado:

A APRENDIZAGEM QUE EU PREZO É A RE-CRIAÇÃO INCOMENSURÁVEL

Eu até podia parar por aqui para não atrapalhar, diante da grandeza dessa síntese. Aqui poderíamos fazer 30 minutos de silêncio para refletir sobre a morte da educação oficial…

Complementando essa síntese, só mesmo Paulo Freire: Em seu livro “Extensão ou Comunicação?” ele reflete com agrônomos chilenos sobre o trabalho de Extensão Universitária que eles faziam junto aos agricultores de seu país. Ao criticar o processo de Extensão (de cima para baixo) e defender a Comunicação entre iguais, valorizando o conhecimento adquirido pelos camponeses no trabalho, através dos séculos, Paulo Freire fornece, para minha busca, a outra síntese que me orienta até hoje. Quando ele define a aprendizagem como uma situação gnosiológica, um momento para produção de conhecimento, revoluciona toda concepção das relações em uma sala de aula.

Quando hoje se discute, timidamente, nos meios acadêmicos a necessidade de uma “epistemologia da prática pedagógica”, a raiz dessa discussão está nessa conceituação de Paulo Freire. Na época eu discordava da linguagem mercadológica e assistencialista de então, afirmando: não se trata de dar a vara ou de ensinar a pescar; é preciso aprender juntos a pescar.

Juntando, então, os dois pilares: re-criação incomensurável feita coletivamente.

 E o que tem a avaliação a ver com isso? No começo também não percebi, mas todo tipo de avaliação sempre me causou náuseas. Hoje talvez eu consiga resumir minhas duvidas: Se a aprendizagem é re-criação incomensurável (sem medida), avaliar (medir) o quê? Se aprendemos juntos, quem avalia quem?

Mas e então? Não há mais avaliação? Dentro do atual sistema educacional – onde o professor ensina e o aluno aprende – tem que haver. Foi a única forma descoberta para fazer o sistema andar. Mas há outros caminhos a percorrer. Vamos a eles!

4- ENTÃO EU LAVO AS MÃOS!

O próximo passo é culpa do Jarbas (Novelino Barato), grande pensador e instigador do SENAC-SP. Tratava-se de refazer o material didático dos cursos em andamento, especialmente os de cabeleireiro e de auxiliar de enfermagem.

O SENAC-SP tinha passado por uma mudança radical no final da década de 70, resumida na frase “O SENAC saiu da escola”, que decretou o fim do Ginásio Comercial e dos cursos Técnicos de Contabilidade e Administração. Passou a ministrar cursos de curta duração visando a preparação imediata e localizada para o mercado de trabalho. Foi acusado por isso de fazer “cursinhos walita”: apenas instrumentalizava o aluno a desempenhar tarefas específicas. O SENAC se defendia com a tese do “aprender fazendo” e não por ouvir-falar-como-é-que-se-faz. Essa metodologia dividia os cursos em módulos correspondentes a determinadas tarefas encontradas nas empresas. O curso de cabeleireiro, por exemplo, oferecia separadamente os módulos: “Cortes e Penteados”; “Mechas e Reflexos”; “Tintura e Permanente”… No curso de Auxiliar de Escritório chegou-se a oferecer um módulo independente de “Operador de Máquina de Calcular”. A partir de 1982 as coisas começam a mudar. Na Área de Saúde a legislação extingue o Atendente de Enfermagem e obriga a formação do Auxiliar de Enfermagem, com carga horária cinco vezes maior; na Área de Escritório, por pressão da comunidade há a retomada do Técnico em Contabilidade, agora em caráter supletivo; na Área de Beleza juntam-se os módulos e monta-se um curso de seis meses de duração: 3 meses de teoria e prática em sala-ambiente, 3 meses de aplicação atendendo clientes no salão-empresa.

Havia, porém, duas questões a resolver: preparar para a docência os profissionais que ensinavam e produzir um material didático adequado. Os docentes eram profissionais de reconhecida competência em sua área de atuação, mas a grande maioria nunca havia ensinado. O material didático era preparado em cada Unidade de formação, num esforço conjunto entre os docentes e coordenadores que não eram especialistas na área. Então surgiam apostilas contando a história da profissão em longas descrições, ou definindo conceitos que não estavam no nível de compreensão e de interesse dos alunos, e assim por diante.

Esse era o desafio para o Jarbas enfrentar. Diferentemente do que fazem órgãos de administração pública ou empresas com filiais que produzem nas unidades centrais e empurram goela abaixo o produto para as unidades de operação, foram convocados docentes e coordenadores para serem treinados e produzirem o material a ser discutido com os interessados. Foi um grande momento de produção coletiva.

Porém – e sempre tem um porém, como dizia o Plínio Marcos – o que mexeu com minhas convicções foi a técnica de “lavar as mãos” no curso de Auxiliar de Enfermagem. Em ambiente hospitalar não se lavam as mãos como em outros lugares. Se não for seguido o seqüenciamento correto, você acaba contaminando as mãos ao final da “lavação”. Daí a necessidade de decorar os passos para não se inverter a sequência.

Então vieram as questões: decorar os passos ou entender o porquê das ações? E quando não houver torneira adequada (aquela que se fecha com o cotovelo) para que servem os passos decorados? Qual a distância entre entender e decorar os passos? O que avaliar: a decoração ou a compreensão? Ou não é nada disso? Relacionando com o caso da farinha de trigo, a “mãos lavadas” me forçou a novas reflexões sobre o processo ensino-aprendizagem. É certo que nessa época o SENAC já abraçava a causa do “aprender a aprender”. Mas ainda não me satisfazia.

5- COMO ERA AZUL O MEU VALE!

Outras experiências significativas ocorreram na unidade do SENAC em Taubaté, onde trabalhei por 5 anos (87 a 91). Aprendi muito com o pessoal: Irene, Lúcia, Bete, Lila, Luis Monteiro, Herculano, Chico, Zilda, Nice, Karina, Isabel… Daria um longo capítulo, mas destaco três episódios:

 Lila lá.

Sobrevivente de mais uma reengenharia por que passara o SENAC no início dos anos 80, a Lila, que era secretária do diretor, passou a docente do curso de Técnicas Secretariais. Teve que aprender, além do trabalho docente, a divulgar e recrutar alunos para os cursos. E pior, conservar os alunos durante todo o semestre, pois disso dependia sua sobrevivência no emprego. Dá prá imaginar a insegurança.

 O que se passou não tem a ver diretamente com a atividade de sala de aula. Sendo eu coordenador dos docentes, a Lila veio pedir autorização para sair durante a aula: – “Preciso ir ao banco durante a aula. Por isso vou dar uma atividade para as alunas, vou e volto logo. Posso ir?” Não sei bem porque respondi: – “Você é quem decide.” E ela: – “Mas não tenho que pedir autorização?” – Não. Você decide e me comunica para saber onde você está, se for preciso. O fato de eu dar autorização exime você de toda responsabilidade. Aí é fácil.” Confesso que até eu fiquei surpreso com o que disse, mas foi muito interessante, porque ambos aprendemos com essa situação.

 Aprendemos principalmente que, se quisermos respeitar a autonomia de alguém, é preciso compartilhar responsabilidades e poder. E refletimos como isso se daria em sala de aula.

 Chico Total.

 Tínhamos elaborado um “curso” para os docentes aperfeiçoarem as práticas didáticas que se desenvolvia em 4 momentos durante o ano. O Chico se destacava pelo seu comprometimento com a tarefa de se tornar um bom professor. Foi até estudar Filosofia que ele achava importante para compreensão dos conceitos pedagógicos. O Chico era professor do curso Técnico em Contabilidade nas duas disciplinas-chaves: Contabilidade Geral e Custos. Era o professor mais querido dos alunos por seu espírito prático de mostrar como a Contabilidade ocorria na vida cotidiana. Era perfeccionista e preparava cada aula como se fosse a primeira. E os alunos se entusiasmavam com o entusiasmo do professor.

Um belo dia ele entra na minha sala desanimado: “Eles não aprenderam nada!” E contou o acontecido: depois de várias aulas sobre o tema, com muitas demonstrações e exercícios, ele resolveu sentar com os alunos individualmente e viu que eles não estavam conseguindo resolver as questões colocadas Lembro de ter produzido uma frase de “estímulo” mais ou menos assim: – “Agora você começa a ser professor. Descobriu a diferença entre “dar aulas” e “aprendizagem do aluno”. E concluímos que dar um show lá frente e ser admirado pelos alunos por seu conhecimento é apenas o início do processo.

 Ficava, então, a questão : como levar a agir alunos do curso noturno – que era o caso – pois trabalham o dia todo, chegam cansados e não tem condições de estudar em casa. O Chico foi fazer Filosofia pra discutir isso e eu, mais uma vez, fui rever meus preconceitos sobre o processo ensino-aprendizagem.

 Batendo em outra tecla

 Uma das maiores lições sobre aprendizagem recebi de um garoto, ao redor dos quinze anos, que a nossa lingüística politicamente correta chama de portador de necessidades especiais. O Adalberto apareceu no SENAC com a carta de seu médico, solicitando que ele fosse incluído em algum curso profissionalizante para estimular seu desenvolvimento. Ele tivera problemas de traumatismo no parto, o que comprometeu sua fala e seus movimentos, especialmente as mãos e os dedos que se apresentavam retorcidos.

Ainda não tínhamos informática, então a minha idéia foi colocá-lo no curso de Auxiliar de Escritório, onde ele poderia se especializar em arquivos. Buscava alguma coisa para ele não precisar utilizar movimentos complicados. Para minha surpresa, ele insistiu em fazer o curso de Datilografia. Na época, datilografia era a porta de entrada para o primeiro emprego em várias profissões. O SENAC se orgulhava de seu curso que preparava para “180 toques por minuto”, com um manual bem preparado e em tempo recorde. A dificuldade seguinte foi convencer a professora do curso a respeitar o ritmo e os objetivos daquele aluno. Todos nos achamos muito condescendentes com ele.

Os resultados foram surpreendentes, não tanto pelo seu progresso com datilografo, mas pela autoconfiança que ele adquiriu. Meses depois ele estava na coordenação do movimento dos portadores de deficiências; numa reunião da entidade feita no auditório do SENAC, surge o Adalberto empurrando a cadeira de rodas de um companheiro. Anos mais tarde, trabalhando agora no SENAC de Jundiaí, recebi uma carta do Adalberto agradecendo o apoio daquela época. Carta datilografada por ele!!!

Ficou muito claro para mim que decidir no lugar do aluno está sempre errado, mesmo que você acerte. Neste caso é mais evidente: nossa prepotência e preconceito para com os portadores de deficiência levam a um paternalismo paralisante e nada estimulador. Guardo a carta até hoje, não só pela emoção, mas para não esquecer a lição.

 6- E A VIDA NÃO MUDAVA,

                              MUDANDO SÓ DE LUGAR                  G. Vandré

Aprendi muita coisa fora da escola. Intuitivamente realizei muitas experiências que permitiam às pessoas assumir responsabilidades, adquirindo novos conhecimentos e comportamentos. Fui “dono” de um curso de madureza onde os professores e, depois, os alunos assumiram a gestão; fui chefe de seção na Prefeitura de São Paulo, que processava multas de trânsito, onde o controle de horários, freqüência, produção e de atitudes anticorrupção eram assumidas coletivamente; fui “dono de boteco” onde os fregueses participavam da produção e da gestão financeira; assumi a coordenação de programação de uma TV Comunitária, à beira da falência, que foi recuperada com a valorização e inclusão dos produtores de programas. O fato de que, ao sair, todos pediam que eu ficasse poderia alimentar minha vaidade pessoal, se eu não soubesse que eles estavam reconhecendo que seu potencial e suas realizações não estavam sendo desprezadas. Quero destacar 3 experiências:

 A -Integrar para não entregar

No vestibular para Ciências Sociais na USP, em 1967, o tema da redação foi “A Amazônia e sua Integração ao País”. O engraçadinho aqui terminou com o trocadilho irresistível: “Por isso é necessário integrar para não entregar.” Além da nota baixa, como castigo, mais tarde fui terceirizado no Projeto Rondon, que adotara a frase como lema. Por sorte, fui trabalhar em “Operações Especiais” que (ao contrário da Operação Nacional que levava Universitários para fazer assistencialismo em regiões pobres e abandonadas do interior do Brasil) desenvolvia atividade permanente na periferia das grandes cidades.

 No Projeto Região Metropolitana, que coordenei, realizamos atividades em municípios da Grande São Paulo. Tentando evitar o assistencialismo, aplicávamos a metodologia da Ação Comunitária, que previa o desenvolvimento autônomo da comunidade. Aí as contradições entre o “povo” e a classe média universitária eram permanentes.

Um fato exemplar ocorreu em Pirapora do Bom Jesus. A proposta era realizar um trabalho educativo de médio prazo, por isso os estudantes de medicina e odontologia abandonaram o treinamento. O máximo que conseguimos foram os paramédicos. A comunidade mais carente ficava próxima ao Centro Social Urbano (CSU – equipamento poliesportivo que a ditadura impôs ao país inteiro com a mesma estrutura física, onde se destaca a caixa d’água), que, como todos os outros no Estado, estava desativado. Por ironia um dos grandes problemas da comunidade era falta de água tratada, apesar da caixa d’água e do rio Tietê que atravessa a cidade. Sua fonte de abastecimento era uma bica de água, próxima. Os Universitários analisaram a água e concluíram pela existência do caramujo da esquistossomose. Prepararam lâminas para mostrar no microscópio à população e doaram latas para que eles fervessem a água. Quando eles voltaram na semana seguinte, ninguém fervera a água e usavam a lata para guardar mantimentos. E diziam: “Meu avô bebia dessa água e morreu velho” Dá para imaginar o desânimo da equipe: “O povo não coopera”. “O povo não tem jeito mesmo”

Refleti com eles sobre a questão da prioridade. Provavelmente a água deveria estar na quarta ou na quinta posição, depois comida, emprego, moradia, segurança, saúde imediata… A classe média já nascia com água tratada e ficava assustada quando alguém sobrevivia sem ela. E lembrei-me da conversa do Paulo Freire com os agrônomos chilenos.

B- “Então vocês querem patrão?”

A experiência por que passei no Pontal do Paranapanema foi fundamental para que firmasse minhas convicções sobre a necessidade da aprendizagem coletiva na escola e na vida; principalmente nesta.

 No começo deste século, trabalhei terceirizado na Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho(SERT) na gestão de Walter Barelli, convidado para organizar o Centro Público de Formação Profissional do Pontal e da Alta Paulista. O lago formado pela hidrelétrica de Rosana desalojara população ribeirinha em 16 municípios da região. Como compensação, a CESP criara, há dois anos, Centros de Formação e ministrara cursos profissionalizantes para criar alternativas de trabalho. Com a perspectiva de privatização da CESP (que não ocorreu) a continuidade dos trabalhos foi assumida pela SERT. Chegamos para implantar o Centro Público com a agenda paralela de criarmos efetivamente alternativas de trabalho a partir dos cursos realizados.

A SERT idealizara projetos que, se integrados, eram a solução perfeita para o problema. Ela havia formado Técnicos em Desenvolvimento Econômico(TDEs) que faziam inserção na comunidade para definir e apoiar empreendimentos gerados dentro do Programa de Auto Emprego e financiados pelo Banco do Povo. Além das tradicionais injunções políticas e da luta pelo poder, o isolamento dos fatores econômicos e dos agentes de mudança, criaram o caldo para a não realização da proposta.

Alguns exemplos:

 – Reunião da Comissão Municipal de Emprego em Presidente Epitácio:

 O representante dos Assentados, por um lado, reclamava da perda com a plantação de mandioca. A farinheira do Mato Grosso do Sul ia pagar metade do preço que oferecera no início da plantação e a do MST ainda não estava funcionando. Ou eles vendiam sem nenhum lucro, ou perdiam a safra. E não sabiam mais o que plantar. O representante da Indústria de Cerâmica reclamava da distancia que eles tinham que percorrer para comprar lenha. Lembro-me de ter perguntado se eles moravam no mesmo município. Concluíram, então, que cada assentamento poderia plantar eucaliptos em uma parte de sua propriedade, como alternativa de renda.

– Assentamento “Tucano” em Euclides da Cunha

O assentamento tinha mais de 10 anos e cada lote continuava isolado dos outros. Numa reunião, a líder do assentamento convidou-me para visitar uma horta comum, idealizada por jovens de várias famílias. Era uma tentativa de não abandonar o assentamento, pois, segundo ela, “os jovens estavam indo procurar emprego nas cidades e só os velhos estavam ficando”. A horta estava bem cuidada, com apoio técnico de agrônomo do estado e pronta para a colheita… mas não tinha compradores. Dias antes eu tinha participado de um encontro de mulheres dos assentamentos da região, realizado em Rosana, a 20 quilômetros do local, com a participação de cerca de 300 mulheres. Fui ajudar na preparação das refeições e vi que toda verdura fora comprada em empresa de Regente Feijó, a mais de 100 quilômetros. Perguntei por que não tinham comprado dos assentamentos e responderam que ninguém plantava (!)

– Escola Agrícola da Paula Souza em Presidente Wenceslau:

A escola realizara pesquisas para encontrar o melhor carneiro para criação na região e tinha definido uma espécie que se dava muito bem. Podia ser criado em pequenas propriedades e, além da carne e do leite, a escola fizera pesquisa para uso artesanal da lã dos animais. O professor estava entusiasmado com os resultados da pesquisa, mas desanimado com sua aplicação na região. Por essa época, eu soube que em Presidente Wenceslau realizavam-se várias festas onde o destaque eram as kaftas de carne de carneiro… que estava em falta na região. Seria uma solução para assentamentos, tipo o “Tucano” onde os donos dos lotes continuavam isolados e sem saber o que produzir. A grande maioria sobrevivia de 3 ou 4 vacas, obtidas de recente campanha do governo do estado, que davam 5 ou 6 litros de leite cada, por dia. Quando nascia algum bezerro, vendiam para comprar televisão, segundo depoimento de uma assentada.

E mais de uma vez ouvi dizerem que o governo devia mandar indústrias para a região se desenvolver. Aí eu provocava: “Então vocês querem patrão?”

 O que isso tem a ver com o processo ensino-aprendizagem? Tudo! Na escola não se aprende a pensar por si. Cria-se a necessidade de um condutor. Não se aprende a pensar e agir coletivamente.

C- Ai, meu Santo Antonio!

Quando parecia que tudo já estava encerrado (eu estava aposentado e com 63 anos) aconteceu a minha maior experiência de vida. Fui convidado para dirigir uma nova proposta nova de trabalho que ia ser realizada pela Secretaria de Educação de São José do Rio Preto, no bairro Santo Antonio na Zona Norte (apesar de que os lingüistas e mercadólogos de plantão acham que se fosse chamada de Região Norte os problemas estariam resolvidos).

 Esse bairro e os vizinhos foram fruto de vários desfavelamentos realizados na cidade e ainda são famosos pelo tráfico e consumo de drogas, com toda a carga de preconceito que essa fama produz. Não se compara, é lógico, à periferia de São Paulo e do Rio, mesmo porque há um enorme fluxo de programas assistencialistas por parte da Prefeitura, Ongs e entidades filantrópicas. E a população aprendeu a reivindicar, aumentando o nível de exigência a cada escalada demagógica do período eleitoral.

Um dos resultados foi a criação da Escola de Competências (ECO): um conjunto poliesportivo ao qual foi acoplada a proposta de um núcleo profissionalizante. Situa-se num local privilegiado: entre duas creches, um posto de saúde, duas escolas de ensino fundamental: uma de 1ª a 4ª, outra de 5ª a 8ª, além da EJA(Educação de Jovens e Adultos.) Equipamentos: uma quadra polivalente coberta com dois campos, um estádio para futebol de campo, duas quadras de areia, espaço para artes marciais, pista de caminhada, um parquinho para cada creche anexa, aparelhos de ginástica ao ar livre, sala de computadores com 20 equipamentos para telecentro comunitário , duas salas para cursos variados.

 Lembrando-me das Comunidades Eclesiais de Base (eu tinha participado dos debates sobre a implantação delas na periferia de São Paulo, no meu tempo de seminário, no início dos anos 60) resolvi ir morar no bairro, contra a opinião da maioria dos amigos e conhecidos. Não achando casa para alugar, fui morar na casa do zelador da Escola Darcy Ribeiro (belo nome!) que estava desocupada. E sem refresco, pois custava 20% do meu salário. O motivo principal da inserção era minha crença de que mobilizar a comunidade para assumir a gestão da Escola era a melhor maneira de preservar o local e os projetos que seriam implantados. Mal sabia que essa era a única saída que se apresentou depois da inauguração: a prefeitura inaugurou a obra, mas não previu uma equipe permanente para desenvolver os projetos. Mesmo o Coordenador era um cargo de confiança lotado no gabinete da Secretaria.

No dia seguinte aos festejos me vi sozinho diante de uma comunidade ansiosa para o início das atividades, pois a inauguração estava prevista para um ano antes. Conseguiram marcar a data para fevereiro, mas só foi inaugurada em junho, numa sexta feira. No sábado de manhã, com equipamentos incompletos, sem material para desenvolver as atividades, com mínimo pessoal de apoio (um guarda, duas faxineiras e um porteiro) começamos a receber toda a população do bairro e de bairros vizinhos, que vinham para confirmar se as promessas eram verdadeiras. Foi o fim de semana em que começou o maior desafio de minha vida. De improviso fui ao borracheiro próximo, meio às escondidas para não denunciar a desorganização, enchi várias bolas de futebol, vôlei, basquete e futsal, e distribuí àqueles que solicitavam. Os funcionários ficaram preocupados: “Você não vai pedir o RG? Vão roubar as bolas.”

 E não roubaram nenhuma. Nem nos fins de semana seguintes, nem durante os nove meses em que dirigi a Escola. As cerca de meia dúzia que foram expropriadas estavam cumprindo sua missão: foram vistas com crianças jogando na rua onde moravam. A única coisa que sumiu foi um relógio de parede e os suspeitos eram funcionários. Havia vinte computadores, duas TVs com exibidores de DVDs, inúmeras bolas e equipamentos para vários jogos: tudo sem proteção especial, com apenas um ou dois vigias numa extensão enorme, com grades ou muros que até eu pularia. E o povo tomou conta de tudo. Foram muitas lições, mas vou destacar as 3 inevitáveis:

Os manos:

Sentindo a falta de agilidade e de proposta da prefeitura, o povo mesmo organizou o uso dos espaços esportivos, em especial a quadra de esportes. Durante os nove meses eles tomaram conta, organizando as disputas diárias de futsal e vôlei, e o futebol de fim de semana. Chegaram a montar um torneio de futsal que envolveu vários bairros da cidade. Meu único trabalho foi garantir os troféus. Durante todo esse tempo não houve uma briga, nem um atrito mais contundente. Quando havia perigo de confronto, a própria organização deles coibia: “Aqui dentro, não!” E nem lá fora. O que eles menos queriam era a presença da polícia. Para não atrapalhar o consumo de drogas, especialmente a maconha que corria solta por várias esquinas próximas. Era inevitável que entrasse nem recinto protegido como o Centro Esportivo, cuja topografia criava vários “cantos” favoráveis.

 A minha política era “correr atrás” e conversar, tentando demonstrar que poderia prejudicar o uso daquele espaço pela comunidade. Na maioria das vezes atendiam: iam fumar lá fora e voltavam. Um dia, indo para casa ao fim do expediente, nove horas da noite, ouvi de um grupo que se reunia na esquina, quase em frente ao portão do Centro Esportivo: – “E aí, seu Eduardo, aqui pode?”

Essa pergunta ecoa nos meus ouvidos até hoje. É símbolo da exclusão a que submetemos os alunos; dos muros da escola cada vez mais altos; da eliminação dos menos aptos; da constatação de uma verdade iníqua: uma coisa é a escola, outra a vida. Escola é um lugar para aprender, não para resolver problemas dos alunos. Isso é com a família e a sociedade. Aqui dentro não pode!

 Bibliogibibrinquedoteca

É realmente um quebra-cabeças. O anão da burocracia proibia a instalação de qualquer curso profissionalizante. Cada vez que eu chegava com algum projeto vinha o inevitável: ”Ah! Não. Não pode.” Então parti para a biblioteca. Com a ajuda de voluntários do Senac e da própria comunidade conseguimos um número razoável de livros e lotamos as cinco estantes que estavam sem utilização. Abrimos para consulta no local, com a possibilidade de levar para casa. Poucas pessoas freqüentavam e menos ainda levavam para casa. Resolvi acrescentar gibis, doados ou comprados em sebos da cidade, e a freqüência melhorou. E aprenderam a levar e devolver regularmente.

A coisa chegou quase ao desejável quando introduzi jogos e quebra-cabeças. Depois de um certo tempo já levavam revistas e alguns livros para casa. Num domingo à noite contei 18 crianças lendo, jogando e desenhando sem ninguém mandar. Entre elas, vários bagunceiros inveterados. Num outro domingo, a sala estava dominada pelos manos, querendo aprender a montar os quebra-cabeças: dos jogos e, quem sabe, de suas vidas.

 Não foi essa, porém, a maior lição. Havia uma menina de cerca de 10 anos que participava de qualquer atividade que se organizasse. Sua energia era tanta e tão reprimida que brigava com todo mundo, inclusive comigo. Vivíamos às turras. Ela me chamava de “bruxa” e eu revidava com “Pokémon”: era sua maneira de dizer que estava viva. Há vários dias ela levava muitos gibis para casa (e trazia de volta). E eu provoquei: “Pra que você tá levando? Você não sabe ler”. Sua resposta me desmontou: “Meu pai lê pra mim.” O Gabriel, outro poço de problemas, que estava ao lado, se animou: “Vou levar pra minha mãe ler.”

Preciso inventar alguma frase brilhante?

Cuspindo na cara.

O prefeito fez questão de presentear a comunidade com um chafariz. Ficava longe da administração, quase no fim da pista de caminhada, na parte alta. Tinha uns cinco metros de diâmetro e alguns canos para jorrar água. A criançada começou a entrar para brincar e levou sujeira para dentro, o que danificou a bomba de água.

 Aí aproveitei para interditar, porque era perigoso: os canos estavam espetados, tinham cerca de meio metro de altura e poderia machucar algumas crianças. Que não se conformaram. Diante de minha proibição, uma menina de 4 ou 5 anos me perguntou: “Mas não é uma piscina, tio?”

E eu podia responder alguma coisa? Mesmo assim não reabri. E tive que agüentar várias tentativas de ressuscitar o chafariz. As crianças pegavam a mangueira usada para regar o gramado e jogavam água na “piscina”. Lá ia eu e escondia a mangueira. Até que um dia vi outra menina entre 4 ou 5 anos, indo até a torneira, enchendo a boca de água e… cuspindo para encher a piscina.

Como diria o universitário em Pirapora: “Esse povo não tem jeito mesmo!” Ou o político em campanha: “O que falta é educação!” Ou o dono da escola: “Aqui dentro, não!” Até quando vamos deixar o povo cuspindo para encher a piscina?

7- TRINTA ANOS ESTA NOITE

Talvez eu nem tenha assistido ao filme de Louis Malle (“Le Feu Follet”) que em português recebeu o título acima. Mas sempre gostei dessa expressão e acho que ela cai bem neste momento. Como resumir nesta noite os trinta anos (no meu caso, mais de 60) da vida de uma pessoa. Por certo não é possível. Ainda mais porque, dialeticamente, acredito que minha vida não é minha vida: há muitas vidas envolvidas nela.

 É por isso que estou escrevendo. Para que vocês possam me ajudar a resumir trinta anos esta noite. O que posso tentar é apresentar minhas conclusões preliminares:

1- A construção do conhecimento tem que ir além da lógica formal e utilizar os mecanismos da dialética: o confronto com as negações, a compreensão das inevitáveis relações entre os contrários, a síntese provisória dentro do conjunto que lhe dá significação;

 2- O processo de aprendizagem que leva à construção do conhecimento é coletivo, em condições de igualdade, mesmo que alguns tenham acumulado mais informações. (Perco a credibilidade, mas não perco a piada: temos que caminhar da masturbação individual ao orgasmo coletivo);

3- Toda aprendizagem é uma re-criação: o professor não ensina o Teorema de Pitágoras; ele re-cria o teorema junto com os alunos. E cada vez é diferente, pois são diferentes as pessoas;

4- Por causa dessa diferença, a re-criação é incomensurável e se dá de maneira distinta em cada um. Compartilhar a diferença é a maneira de enriquecer o conhecimento de cada um. Inclusive do professor.

5- Aqui entra o palavrão: é preciso criar a epistemologia da prática pedagógica. É preciso reconhecer que a atividade de sala de aula é um momento de nova construção do conhecimento e não apenas confirmação da verdade oficial.

 Na segunda parte o desafio será como, dentro dessa visão, entender:

 O pensamento reflexivo de Dewey

 A mediação em Vygotsky e Piaget

 A absorção do senso comum em Bruner

 A complexidade em Morin

 A aprendizagem da abstração em Britt-Mari Barth

As invariâncias de Freinet

O destacamento misto de Makarenko e seu Poema Pedagógico

 A situação gnosiológica em Paulo Freire

 E, principalmente, o concreto pensado em Marx

 Me aguardem!…

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DESMANCHANDO…

PRIMEIRO MOVIMENTO:

“A aprendizagem que eu prezo é a re-criação incomensurável”

                                                      Ivan Ilich em “Sociedade sem Escolas”

SEGUNDO MOVIMENTO:

“Eu não inventei método nenhum”

                                                     Paulo Freire, suposto inventor de famoso método, em entrevista,

TERCEIRO MOVIMENTO:

“A teoria da aprendizagem morreu deixando para trás principalmente vestígios técnológicos”

                                                   Jerome Bruner em “Atos de Significação”

Então fica a questão:

Como fazer educação

                                      sem avaliação

                                      sem método

                                      sem tecnologia.

Só com teoria?

TRILHA SONORA

1- “Ando devagar porque já tive pressa,

      levo este sorriso porque já chorei demais”

                                     Tocando em Frente – Almir Sater e Renato Teixeira

2- “A lição sabemos de cor,

      só nos resta aprender”

                                      Sol de Primavera – Ronaldo Bastos e Beto Guedes

3- “As coisas estão no mundo,

      só que eu preciso aprender.”

                             Coisas do Mundo, Minha Nega – Paulinho da Viola

MINHA RELIGIÃO

“Ninguém liberta ninguém, niguém se liberta sozinho: os homens se libertam em comunhão” – Paulo Freire, em A Pedagogia do Oprimido

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